Psicologia & Saúde: Psicoterapia para Crianças

Posted on 02/09/2010

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A PSICOTERAPIA PARA CRIANÇAS

Gabriel Arruda Burani (CRP 06/97263)

A psicologia é uma ciência relativamente nova, tendo pouco mais de 100 anos. Muito se fala da psicologia para adultos e poucos o fazem para a psicologia voltada para a criança. As primeiras formulações teóricas de Sigmund Freud acerca deste tema, em 1905, se deram na observação de uma criança de cinco anos. Suas observações, interpretações e orientações destinadas aos pais desta criança tiveram sucesso, o que permitiu o uso da Psicanálise voltada para a criança. Desde então, outros como ele vieram de encontro ao estudo da criança, como A. Freud, W. Winnicott, M. Klein, A. Aberastury, entre outros. Com base na teoria psicanalítica de S. Freud surgiram novos olhares voltados para a psicoterapia infantil.

Enquanto a psicoterapia do adulto se dá por meio da associação livre (onde o cliente fala e por meio de sua fala revela suas dificuldades), transferência e a interpretação, a psicoterapia da criança se dá por meio do jogo, da bricnadeira; assim como o adulto utiliza de tais mecanismos para a psicoterapia, a criança o faz enquanto brinca (na maioria dos casos) ou mesmo durante a conversa com o psicoterapeuta.

Como funciona? A dinâmica da psicoterapia infantil ocorrerá uma primeira sessão de entrevista com os pais, onde o psicólogo obterá informações da criança, como sua concepção, motivo da consulta e dados relevantes de suas relações sociais e rotina. A segunda sessão ocorrerá a primeira hora do jogo, exclusivamente com a criança. Segundo Arminda Aberastury, em seu livro Psicanálise para Crianças (Ed. Artmed, 1992) “(…) toda criança, mesmo a muito pequena, mostra, desde a primeira sessão, compreensão de sua enfermidade e o desejo de curar-se”. Assim, caberá ao psicólogo participar da hora do jogo com a criança e observar e iniciar a interpretação de suas representações durante aquela primeira hora. As sessões seguintes, decidido o tratamento junto aos pais, o psicólogo receberá a criança em seu consultório ao menos uma vez por semana, em mesmo dia e horário. Regularmente, o psicólogo chamará os pais ao consultório onde lhes apresentará uma devolutiva sobre o andamento da terapia.

Hora do jogo? Durante o momento em que brinca na presença do psicoterapeuta e este buscará compreender as manifestações de seus conflitos e intervir junto a elas. As brincadeiras ocorrem com bonecos, miniaturas de animais, jogos, em um desenho ou conversa com psicoterapeuta. Muitas vezes um desenho ou o modo como brinca com os brinquedos presentes no consultório – como uma família de brinquedo, por exemplo – representará como funciona seu mundo interno e sua percepção do mundo a sua volta. Ao terapeuta caberá estimular a criança a elaborar suas inquietações internas bem como interpretá-las.

Por que ir a um psicólogo para minha criança brincar? Bem, existem dificuldades que a criança enfrenta que ficam camufladas em dia-a-dia: Os pais ou mesmo os cuidadores destas crianças (como babás, avós, tios, professores entre outros), embora notem algumas atitudes diferentes na vida delas, chegam a ser incapazes de interpretá-las, compreendê-las e nestes casos de intervir. Assim, no consultório do psicoterapeuta, este a observará e interpretará as manifestações do inconsciente da criança durante a hora do ludo, ou do jogo, ou simplesmente na hora de brincar. Medos infantis, dificuldades escolares e/ou de relacionamento, são exemplos do que o psicoterapeuta pode trabalhar com a criança, durante a psicoterapia.

Qual o publico alvo? Este tipo de psicoterapia abrange desde as crianças bem pequenas até sua adolescência (onde, na maioria dos casos, os mecanismos de psicoterapia passam a igualar-se ao dos adultos, ou seja, ocorre por meio da associação livre, transferência e interpretações diretas, uma vez que dificilmente o adolescente projetará suas dificuldades em uma brincadeira com brinquedos).

Duração? Vale dizer aqui, que nenhum tratamento psicológico é imediatista ou “mágico”. Seu processo, sua constância, periodicidade e o empenho do cliente (e de seus pais, no caso da criança) são fundamentais para o sucesso do tratamento psicológico.

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